Cura do TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Esta página é um complemento ao Ep.005 – Que tal morar separado sem se separar?

No referido episódio, Cadinho citou ter redigido uma carta que enviou aos parentes e amigos quando o casal tomou a difícil decisão de morar separado como uma das iniciativas em busca da “cura” para o TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo da Baixinha.

Segue abaixo o texto da carta na íntegra:

Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2011

Assunto: Importante decisão que quero compartilhar com você…

Amigo(a),

Se recebes este e-mail agora é porque és pessoa de minha mais alta estima e portanto compartilho contigo decisão pessoal e importante que tomei nestes últimos dias.

É do conhecimento de todos os mais próximos que a Baixinha é portadora de uma patologia ainda considerada incurável. Patologia esta que a levou a aposentadoria precoce.

Há 10 anos vimos estudando o assunto e buscando e experimentando diversas opções que vão de psicotrópicos a terapias alternativas afim de permitir a ela gozar de uma vida considerada pela sociedade o mais próximo possível da “normalidade”. Entendo que conseguimos grande progresso. Porém, como seres em evolução, estamos sempre em busca de mais e mais felicidade.

Há um ingrediente na fórmula da felicidade que pode ser comparado com o fermento no preparo de um bolo. Sua quantidade impacta diretamente no tamanho do bolo, embora não seja o único responsável por tal efeito, pois os demais ingredientes combinados o auxiliam nesta tarefa. Já sabe que ingrediente é este? Enganou-se se imaginou ser o dinheiro. Estou falando da PAZ!

Embora hoje tenhamos uma vida equilibrada, a Baixinha não se sente em PAZ por saber que suas manias oriundas do TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo atingem diretamente e geram incômodo nas  pessoas que ela mais ama. Eu e nosso filhote não podemos deixar de admitir que fazemos um esforço para nos adaptarmos a esta situação afim de evitarmos ações que a perturbem. Mas se estamos falando de uma patologia ainda considerada incurável, por quanto tempo mais teremos que viver nos adaptando e ainda assim privando a Baixinha de viver em PAZ?

Foi esta indagação que fez com que há uns 2 anos um dos psicólogos da Baixinha fizesse sutilmente uma sugestão que numa reação quase grosseira o fiz perceber que era algo inaceitável. Como jamais parei de estudar sobre estes tipos de transtornos que em silencio destroem famílias no mundo inteiro por não saberem lidar com o portador, fui aprendendo aos poucos a aceitar a sugestão do psicólogo como uma opção potencialmente eficiente para a manutenção da PAZ na vida dos portadores destes transtornos e de seus familiares.

Embora se tratasse de alternativa que já vem sendo adotada por muitos casais ‘modernos’ sem qualquer tipo de transtorno de ansiedade, a sugestão mostrava-se ainda mais interessante para os portadores do TOC.

Então, após muita conversa e estudo de casos, eu, a Baixinha e o filhote decidimos que a Baixinha deve morar numa casa separada da nossa. Por não fazermos parte do grupo de casais ‘modernos’, a decisão foi mais difícil do que deveria até entendermos juntos que morar em casas separadas nada tem a ver com viver separados.

Um dos principais argumentos dos casais que moram separados é que as picuinhas do dia-a-dia dilapidam pouco a pouco a relação e esfriam o amor. Não vou entrar em detalhes, pois há muita coisa sobre o assunto que pode ser encontrado na internet. Como não fui eu que inventei, esta modalidade já  possui até nome – Chama-se LAT (Living Apart Together). Muitas opiniões a favor e algumas contra. Principalmente quando sob a ótica da religião. Estes argumentos apenas corroboraram, mas o fator decisivo foi mesmo permitir que a Baixinha “curta” suas manias sem se penitenciar e assim conquiste mais PAZ em sua vida.  

Enfim, queremos ser ainda mais felizes e vamos experimentar o LAT. Sim, eu disse ‘experimentar’ pois compartilho da opinião de Pascal em uma frase citada por Chico Anysio em recente entrevista ao fantástico onde disse:

“Não me envergonho de mudar de ideia porque não me envergonho de pensar

Obrigado pelo apoio e compreensão,

Cadinho, Baixinha e Filhote.